06/05/2011


Pesca amadora no MPA? É ver para crer!

O Ministério da Pesca e Aquicultura, por meio da ministra Ideli Salvatti, deu uma mostra nesta semana de que a pesca amadora não está tão perto de ser vista como "mina de ouro", de acordo com o que foi dito recentemente à reportagem da Pesca & Companhia.

Aliás, o tema, pelo visto, anda meio "esquecido".

Ao pedir a revisão da lei que diminui a cota do pescado de 400 para 70 kg e que também proíbe o uso de qualquer apetrecho na bacia do Rio Guaporé, em Rondônia, Ideli não se mostrou muito coerente com a proposta de equilibrar a pesca amadora com a profissional.

Para quem acompanha o portal Pesca & Companhia, está claro que o texto mais 'restritivo' aprovado no mês passado pela AL de Rondônia foi uma maneira desesperada que autoridades políticas e ribeirinhos encontraram para salvar o rio de ações predatórias.

Pelos números oficiais, só de pescadores 'forasteiros' com licença para pesca profissional são 60 pessoas.

Se cada pescador abatasse os 400 kg semanais que lhes eram permitidos, logo, a cada semana 24 toneladas de peixes eram retiradas daquelas águas.

Não tem rio que aguente!

A cota dos 70 kg autorizada pela nova lei ainda vai permitir que pelo menos 4.200 kg de peixe sejam abatidos por estes mesmos pescadores a cada semana.

Mais uma vez: não tem rio que aguente!

Esses números "cruéis" são apenas de pescadores de outras regiões que se instalaram por lá. Eles certamente ficam maiores se somarmos os clandestinos, os licenciados do próprio Guaporé, os amadores licenciados que abatem seus 10 kg mais um exemplar de direito, os ribeirinhos...

Os próprios ribeirinhos, antes considerados os "maiores predadores", estão reclamando: o peixe sumiu!

Está na hora da ganância de cumprir a meta de aumentar cada vez mais a produção de pescado ser revista, antes que os rios virem sim "pastos", mas sem condições de reposição do estoque.

Vão sumir turistas, não existirá mais pescado!

Falência à vista?

Segundo fontes locais, para se ter uma idéia, o turismo da pesca ainda representa 80% da economia dos municípios Porto Rolim e Pimenteiras, às margens do Guaporé.

Ainda!

No entanto, “da forma como estava a lei de pesca estadual, em poucos anos não teríamos condições sequer de garantir os 70 kg para o (pescador) profissional”, ressalta o presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, Valter Araújo (PTB).

Em agosto, Ideli Salvatti estará em São Paulo para anunciar o marco regulatório da pesca amadora no Brasil.

E o discurso será feito na frente de todo o setor, já que acontecerá no Pesca Trade Show.

No MPA, existe a garantia informal e projetada pela própria Ideli de um cronograma para que o documento passe "pronto" pelas mãos da presidente Dilma Rousseff em junho.

Vale lembra que recentemente "esqueceram" de mencionar a pesca amadora no importante seminário que definirá o "planejamento estratégico" e as "diretrizes" do MPA para o próximo quadriênio (2012-2015).

Dias depois (depois de nota da Pesca & Companhia), o assunto apareceu e ganhou status de grande importância.

Com tudo isso, para agosto, então, fica a expectativa...

No entanto, este repórter, que embora não seja devoto de São Tomé, quer ver para crer! 

*Lielson Tiozzo é jornalista formado pela Universidade Mackenzie (SP) e é repórter da revista e do portal Pesca & Companhia

Escrito por Lielson às 11h59
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26/04/2011


Opinião do leitor

A ministra do MPA deu uma declaração divulgada pelo portal Pesca & Companhia de que seria a favor da “unificação” de uma lei, talvez até extinguindo as leis estaduais de pesca. Clique aqui para ler a notícia!

Vamos entender as coisas por parte.

Primeiro precisamos considerar que administrativamente o Brasil é uma Federação de Estados e que cada estado tem competência administrativa sobre determinados limites territoriais, inclusive direito esse expresso na Constituição Federal (CF), veja os direitos fundamentais que inicia no capítulo V da CF de 1988 ou como preferir “a Constituição Cidadã”, como é popularmente chamada.

Em segundo lugar, precisamos considerar ainda que cada região possui uma característica cultural marcante, pois a nossa construção enquanto nação foi marcada por processos migratórios distintos e, dessa forma, a ocupação territorial se deu em épocas diferentes e por meios também diversos.

Como exemplo vejamos que o centro do Brasil foi tomado por terra enquanto que a Amazônia ainda é um território “vazio” porque só pode ser explorado pelos rios. Ilustrando mais ainda essa dinâmica, veja que a Rodovia Transamazônica, apesar dos seus mais de 30 anos, nunca foi concluída tamanha a força da natureza e devido ao clima implacável.

Terceiro lugar, vamos concentrar nas riquezas ambientais de cada região brasileira e encontraremos que são por demais diversas, aliás são por demais biodiversas, especialmente os fragmentos de Mata Atlântica, o Pantanal e a Amazônia

Quarto lugar, pensemos em tudo o que foi colocado até aqui e concentremos nossas atenções no tripé da sustentabilidade. Socialmente, uma legislação boa deve garantir que todos possam usufruir igualmente dos recursos da pesca, com ganhos econômicos condizentes conservando o máximo possível dos recursos pesqueiros. Agora precisamos ver que os recursos pesqueiros, antes mesmo de considerarmos os peixes, são as nossas nascentes, mananciais, córregos, rios e lagos. As nossas áreas de preservação permanente são parte do aparato ambiental que sustenta todos os aspectos da nossa ictiofauna.

Dessa forma, retornando à proposta da nossa ministra do MPA e aliando todo esse conjunto de idéias ao fato de que o Brasil tem uma gestão moderna fazendo e promovendo a descentralização das decisões e a desconcentração da gestão não pode, especialmente no aspecto popular da pesca amadora/esportiva, concentrar sua regulamentação no âmbito federativo.

Passamos muitas coisas desde 1930 -1945 com Getúlio e de 1964-1985 com os militares, para retrocedermos com a propagação de uma ideia já ultrapassada e inadequada até mesmo com dispositivos de segurança previstos na nova CF Brasileira. Precisamos hoje é falar de gestão compartilhada, trazendo o poder de decisão cada vez mais perto de onde está o problema. Veja os saltos que estamos fazendo na Educação e na Saúde. Ainda existem problemas para serem resolvidos, mas hoje o Brasil volta a figurar como referência nessas áreas, especialmente porque decisões e recursos são repassados diretamente ao Município, a menos unidade administrativa da Federação Brasileira.

Precisamos é de uma gestão mais realista, mais conhecedora das nossas necessidades e das nossas potencialidades, com uma normatização mais generalista e orientativa, mas que perceba urgentemente a necessidade de direcionar a níveis regional e municipal o conjunto de normas e regras a serem seguidas, dedicando capítulos específicos para cada modalidade, pois não podemos esquecer que ainda temos uma população para alimentar e que o peixe é um dos alimentos preferido pelo brasileiro. Precisamos também, além do que já fora citado, de políticas efetivas para o desenvolvimento de atividades relacionadas à criação de pescado, aliadas a instrumentos econômicos efetivos para que o fomento se torne uma realidade, principalmente nas regiões com vocação produtiva. Mais ainda é a urgência de adentrarmos na transversalidade de outros temas que interferem na atividade pesqueira, como é o caso do Código Florestal Brasileiro, Código de Minas, Código das Águas, Estatuto da Terra e Política Agrária.

Espero que esta reflexão possa chegar em ocasião oportuna. A minha vida profissional me leva aos recantos onde poucos ou nenhum homem há pisou antes. Como engenheiro florestal vou a lugares onde se pode ver a natureza no seu aspecto mais primitivo. Considere também que apesar disso, da precariedade que a minha profissão me impõe, procuro estar em dias com a leitura explorando o conhecimento e as benfeitorias que a Ciência proporciona.

Não raras foram as vezes em que socorri pessoas nas mais diversas dificuldades, inclusive algumas delas foi para trasladar seus corpos, pois já era tarde a chegada de socorro.

João Fernandes de Lima Neto
Engenheiro Florestal
M.Sc. em Ciências Florestais Tropicais e Manejo

Escrito por Lielson às 10h54
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16/03/2011


Para fazer igual!

Ao anunciar o investimento no estudo sócio-econômico sobre os impactos da pesca amadora em seu Estado, o governo panamenho apresenta um ótimo exemplo para o Brasil. Sim, porque por aqui muito se fala na regulamentação, mas nos falta uma base teórica e prática comprovada para tomar as melhores decisões.

Há alguns anos o Panamá pretere a pesca industrial pela pesca amadora. A explicação, segundo artigo de Ruben Berrocal, da Secretaría Nacional de Ciencia, Innovación y Tecnologia (SENACYT ), e de Shamah Salomon, o ministro do Turismo, é que o turismo aquece muito mais a economia panamenha do que a venda dos filés de pescado.

Ao pedir um estudo aprofundado para The Billfish Fundation (TBF) os panamenhos querem apenas ratificar o que eles, seguramente, já têm certeza. É melhor ter o selo de garantia de uma instituição de grande credibilidade mundial perante o mercado mundial da pesca, do que se basear em números caseiros e mal apurados. Fica mais fácil vender o produto quando ele é atestado por quem entende, não é?

O Panamá quer se transformar em um dos destinos de pesca mais visitados do mundo. E tem totais condições para isso, tendo em vista que está em posição estratégia, delimitando a fronteira da América Central com a América do Sul. É um país banhado pelo Atlântico e pelo Pacífico, e tem como principal atrativo a pesca ao marlim-negro.

Não bastasse isso, o Panamá conta com a força governamental para alavancar a pesca amadora em sua ecônomia. A pesca de espinhel, de longline e com o uso de barcos do tipo palangre estão proibidas por lei nacional desde o ano passado, para preservar espécies como atuns e roosterfishs, que são cobiçadas por profissionais e pescadores esportivos.

Portanto, quem leu o artigo publicado no portal no começo desta semana sabe que o Panamá traça uma tendência muito interessante. Tomara que o Ministério da Pesca e Aquicultura, as associações e as confederações tenham lido também, porque a fórmula foi lançada e, a exemplo de outros países que investem na preservação (Argentina na Província de Corrientes, por exemplo), está apresentada novamente.

Confira o artigo publicado no portal clicando aqui!

Lielson Tiozzo é repórter da Pesca & Companhia

Escrito por Lielson às 15h22
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10/03/2011


Vergonha e dúvidas

O político Nereu de Campos Botelho, ex-prefeito de Várzea Grande (MT) e ex-Deputado Estadual, ganhou destaque no portal Pesca & Companhia por ter sido flagrado com 72 kg de pescado no Pantanal.

Botelho foi preso após denúncia anônima. Ele estava no “Pesqueiro Paraíso”, em Cáceres, quando policiais ambientais o abordaram.

Clique aqui para ler a história completa!

É triste de se ver e de se noticiar que um político descumpre as leis nacionais e também do Estado que por quatro anos foi representante em Brasília (DF).

Mais triste ainda é apurar que Botelho tem um histórico de problemas investigados e confirmados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e ainda saber de sua má reputação perante a população de Várzea Grande.

O que preocupa é se a maioria dos nossos políticos segue o exemplo de Botelho e, mesmo que em um momento de lazer, não cumpre regras.

De Botelho deveria no mínimo partir o exemplo de preservação das espécies, de alguém preocupado e comprometido com o meio ambiente.

Estranhezas

Em novo contato com a PMA de Cáceres descobrimos que pacus e piraputangas eram as espécies que totalizaram os 72 kg de pescado abatido – 62 kg a mais do que é permitido pela Licença de Pesca Amadora.

Os pescadores sabem que para somar 72 kg de pescado, de pacus e piraputangas, precisa de muito, mas muito peixe...

Logo, é verdade, a PMA não soube informar exatamente a quantidade de dias que Botelho estava pescando no Pantanal.

Mesmo assim é estranho. E esse dado seria interessante para fazermos contas.

Como alguém sozinho com apenas varas de molinete ou carretilha conseguiu fisgar tantos peixes?

Afinal, sabemos que há tempos o Pantanal não está tão bom para peixe assim...

Seria Botelho um expert em pesca?

Ao saber da denúncia e pela facilidade com que se entregou, segundo a PMA, será que a história está contada por inteira?

Não sabemos.

Vale lembrar também que Botelho é filho de Nhonhô Tamarineiro, o último dos coronéis que comandaram Mato Grosso nos tempos do partido da ditadura, o ARENA.

Poder, portanto, não falta na história de sua família.

Lielson Tiozzo é jornalista e repórter da Pesca & Companhia

Escrito por Lielson às 14h11
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23/02/2011


Pescador

Pescador, onde vais pescar esta noitada:
Nas Pedras Brancas ou na ponte da praia do Barão?
Está tão perto que eu não te vejo pescador, apenas
Ouço a água ponteando no peito da tua canoa...

Vai em silêncio, pescador, para não chamar as almas
Se ouvires o grito da procelária, volta, pescador!
Se ouvires o sino do farol das Feiticeiras, volta, pescador!
Se ouvires o choro da suicida da usina, volta, pescador!

Traz uma tainha gorda para Maria Mulata
Vai com Deus! daqui a instante a sardinha sobe
Mas toma cuidado com o cação e com o boto nadador
E com o polvo que te enrola feito a palavra, pescador!

Por que vais sozinho, pescador, que fizeste do teu remorso
Não foste tu que navalhaste Juca Diabo na cal da caieira?
Me contaram, pescador, que ele tinha sangue tão grosso
Que foi preciso derramar cachaça na tua mão vermelha, pescador.

Pescador, tu és homem, hem, pescador? que é de Palmira?
Ficou dormindo? eu gosto de tua mulher Palmira, pescador!
Ela tem ruga mas é bonita, ela carrega lata d'água
E ninguém sabe por que ela não quer ser portuguesa, pescador...

Ouve, eu não peço nada do mundo, eu só queria a estrela-d'alva
Porque ela sorri mesmo antes de nascer, na madrugada
Oh, vai no horizonte, pescador, com tua vela tu vais depressa
E quando ela vier à tona, pesca ela para mim depressa, pescador?

Ah, que tua canoa é leve, pescador; na água
Ela até me lembra meu corpo no corpo de Cora Marina
Tão grande era Cora Marina que eu até dormi nela
E ela também dormindo nem me sentia o peso, pescador...

Ah, que tu és poderoso, pescador! caranguejo não te morde
Marisco não te corta o pé, ouriço-do-mar não te pica
Ficas minuto e meio mergulhado em grota de mar adentro
E quando sobes tens peixe na mão esganado, pescador!

É verdade que viste alma na ponta da Amendoeira
E que ela atravessou a praça e entrou nas obras da igreja velha?
Ah, que tua vida tem caso, pescador, tem caso
E tu nem dás caso da tua vida, pescador...

Tu vês no escuro, pescador, tu sabes o nome dos ventos?
Por que ficas tanto tempo olhando no céu sem lua?
Quando eu olho no céu fico tonto de tanta estrela
E vejo uma mulher nua que vem caindo na minha vertigem, pescador.

Tu já viste mulher nua, pescador: um dia eu vi Negra nua
Negra dormindo na rede, dourada como a soalheira
Tinha duas roxuras nos peitos e um vasto negrume no sexo
E a boca molhada e uma perna calçada de meia, pescador...

Não achas que a mulher parece com a água, pescador?
Que os peitos dela parecem ondas sem espuma?
Que o ventre parece a areia mole do fundo?
Que o sexo parece a concha marinha entreaberta pescador?

Esquece a minha voz, pescador, que eu nunca fui inocente!
Teu remo fende a água redonda com um tremor de carícia
Ah, pescador, que as vagas são peitos de mulheres boiando à tona
Vai devagar, pescador, a água te dá carinhos indizíveis, pescador!

És tu que acendes teu cigarro de palha no isqueiro de corda
Ou é a luz da bóia boiando na entrada do recife, pescador?
Meu desejo era apenas ser segundo no leme da tua canoa
Trazer peixe fresco e manga-rosa da Ilha Verde, pescador!

Ah, pescador, que milagre maior que a tua pescaria!
Quando lanças tua rede lanças teu coração com ela pescador!
Teu anzol é brinco irresistível para o peixinho
Teu arpão é mastro firme no casco do pescado, pescador!

Toma castanha de caju torrada, toma aguardente de cana
Que sonho de matar peixe te rouba assim a fome, pescador?
Toma farinha torrada para a tua sardinha, toma, pescador
Senão ficas fraco do peito que nem teu pai Zé Pescada, pescador...

Se estás triste eu vou buscar Joaquim, o poeta português
Que te diz o verso da mãe que morreu três vezes por causa do filho na guerra
Na terceira vez ele sempre chora, pescador, é engraçado
E arranca os cabelos e senta na areia e espreme a bicheira do pé.

Não fiques triste, pescador, que mágoa não pega peixe.
Deixa a mágoa para o Sandoval que é soldado e brigou com a noiva
Que pegou brasa do fogo só para esquecer a dor da ingrata
E tatuou o peito com a cobra do nome dela, pescador.

Tua mulher Palmira é santa, a voz dela parece reza
O olhar dela é mais grave que a hora depois da tarde
Um dia, cansada de trabalhar, ela vai se estirar na enxerga
Vai cruzar as mãos no peito, vai chamar a morte e descansar...

Deus te leve, Deus te leve perdido por essa vida...
Ah, pescador, tu pescas a morte, pescador
Mas toma cuidado que de tanto pescares a morte
Um dia a morte também te pesca, pescador!

Tens um branco de luz nos teus cabelos, pescador:
É a aurora? oh, leva-me na aurora, pescador!
Quero banhar meu coração na aurora, pescador!
Meu coração negro de noite sem aurora, pescador!

Não vás ainda, escuta! eu te dou o bentinho de São Cristóvão
Eu te dou o escapulário da Ajuda, eu te dou ripa da barca santa
Quando Vênus sair das sombras não quero ficar sozinho
Não quero ficar cego, não quero morrer apaixonado, pescador!

Ouve o canto misterioso das águas no firmamento...
É a alvorada, pescador, a inefável alvorada
A noite se desincorpora, pescador, em sombra
E a sombra em névoa e madrugada, pescador!

Vai, vai, pescador, filho do vento, irmão da aurora
És tão belo que nem sei se existes, pescador!
Teu rosto tem rugas para o mar onde deságua
O pranto com que matas a sede de amor do mar!

Apenas te vejo na treva que se desfaz em brisa
Vais seguindo serenamente pelas águas, pescador
Levas na mão a bandeira branca da vela enfunada
E chicoteias com o anzol a face invisível do céu.

Vinícius de Moraes

Escrito por Lielson às 16h28
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21/02/2011


Pescador milionário é só na terra do Tio Sam...

Quem acessou o portal Pesca & Companhia e leu a notícia “Kevin Vandam é tetracampeão da BassMaster Classic e vira recordista em premiações”, soube que o pescador norte-americano já acumula US$ 5 milhões (R$ 8,35 milhões) em prêmios.

VanDan conquistou no último domingo seu quarto título da BassMaster Classic, o principal torneio de pesca ao bass no mundo.

O brasileiro que tem o hábito de pescar e, principalmente, o que participa dos inúmeros campeonatos nacionais deve imaginar: “um dia isso pode acontecer por aqui; eu ficar milionário vencendo campeonatos?”.

Não custa sonhar, embora a realidade brasileira não seja animadora se comparada à estadunidense. Todos nós sabemos que os números dos EUA são bem mais impactantes do que os do Brasil em relação à pesca amadora.

É simplesmente inimaginável um brasileiro vencer um campeonato local de pesca e embolsar quase um milhão de reais por isso. O prêmio que VanDan ganhou no domingo é de aproximadamente R$ 835 mil.

Por aqui faltam empresas nacionais ligadas à pesca com bala na agulha suficiente para promover uma competição desse nível. Não temos também uma emissora com audiência e dinheiro de propagandas suficiente para bancar os gastos de um grande evento.

E fica difícil uma grande fabricante estrangeira se mostrar disposta a promover sua marca em campeonatos ainda muito restritos a prefeituras e a governos estaduais. Aqui no Brasil ouvimos falar de “desvio de dinheiro”, então a credibilidade, infelizmente, fica abalada.

Nos contentamos em ganhar um motor de popa, um conjunto de pesca, um barco e na melhor das hipóteses um carro popular ZERO KM. Mas nada que se compare aos R$ 835 mil de VanDam.

Vemos, então, o Governo por meio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) ouvir integrantes graúdos do setor, que pediram ajuda do Ministério dos Esportes para promover a Liga Nacional da Pesca.

Parece que é a salvação da lavoura, embora seja visivelmente muito pouco.

Afinal, assim como a BassMaster é forte graças ao dinheiro da iniciativa privada, aqui no Brasil vemos o Campeonato Brasileiro de futebol se desenvolver com os patrocínios milionários do setor privado pagos às redes de televisão, aos clubes e a CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.

O que o ME influencia no Brasileirão? Nada.

Outro exemplo é o Rodeio de Barretos. No ano passado, o peão vencedor faturou US$ 100 mil (R$ 167 mil). O rodeio vive dos patrocínios, da renda dos shows e das atrações, exclusividade de transmissão e da organização de suas associações. 

Para a pesca falta, então, um crescimento organizado e auto-sustentável da indústria nacional da pesca amadora (hoje praticamente inexistente) e do turismo da pesca, o que fomentaria economias locais e geraria mais divisas. 

Sendo assim, muitas empresas poderiam investir milhões nas competições e, quem sabe, render um prêmio milionário para você que é bom na fisgada dos peixões, seguindo o exemplo do rodeio e da BassMaster.

Mas esse progresso, pelo visto, não está muito perto acontecer, apesar dos esforços prometidos pelo MPA.

O jeito ainda é se contentar com o que temos.

Paciência, pescadores.

Lielson Tiozzo

Escrito por Lielson às 15h59
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16/02/2011


Questão de estilo ou de melhor rendimento?

O que vamos falar aqui poderia render uma discussão e depois uma pauta para a revista Pesca & Companhia.  Então, por que não trazê-la aqui para o nosso blog?

Não é novidade para ninguém que muitos pescadores têm grandes dificuldades para arremessar com carretilha. Então, o jeito é recorrer sempre ao bom e velho molinete.

Já ouvimos também coisas do tipo:  “molinete dá menos vantagens ao pescador na hora da briga”. E até mesmo opiniões mais preconceituosas: “molinete é coisa de novato”.

Quem leu a reportagem da edição 175 “Molinete mania”, do editor Alex Koike, sabe que a coisa não é bem assim.

Molinete é mais moderno, diminui consideravelmente a possibilidade de formar as temidas cabeleiras (a linha embolada na hora do arremesso) e oferece vantagens exclusivas em técnicas como o finesse para basses e a pesca vertical de grandes peixes no mar.

E para a prática do bait casting, conhecido também como pincho e pesca de arremesso? Muitos pescadores abominam o molinete, mas quem já experimentou sabe que também oferece o mesmo resultado. Claro, tanto para molinete como para carretilha, a habilidade do pescador é o que mais conta.

Este que voz escreve, por exemplo, usou apenas molinetes na pesca de arremesso de dourados no Alto Paraná, na Argentina, e no Pantanal. E, francamente, não se arrependeu nenhum pouco. 

Embora os exemplares da foto clicada em Ita Ibaté (ARG) não sejam de encher os olhos, não foi por culpa do equipamento que o peixe não era bitelo, certo?

Então, deixo aqui algumas perguntas. Em especial, para o meu amigo e editor especial Pepe Mélega.

O uso exclusivo carretilhas tem a ver com estilo e vaidade do pescador? Molinetes são mesmo para novatos?

A turma que só usa molinete e a turma da carretilha esperam as respostas.

E você também pode comentar aí embaixo...

Por Lielson Tiozzo

Escrito por Lielson às 15h56
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14/02/2011


Preparação de uma mulher para uma grande pescaria

A preparação para uma grande viagem consiste em muito mais do arrumar as malas e ir.

Muitos passam o ano programando a tão sonhada data, quando o dia chega, arrumam suas tralhas e colocam o pé na estrada.

Nesse mercado tão masculino da pesca será que a preparação de uma pescadora é tão simples assim?

Muitos me perguntam quando vamos viajar o que levo na mala, é uma curiosidade comum tanto dos pescadores como das pescadoras.

É um mercado que cresce muito a cada ano e com ele vem crescendo o número de pescadoras interessadas em aprender cada vez sobre este esporte fantástico.

Há pouco mais de um mês recebi o convite para pescar, mas não seria qualquer pescaria, e sim pescar  no Teles Pires no Mato Grosso, e logo após no São Benedito no sul do Pará. Se uma viagem já nos deixa ansiosos, imagina duas, uma seguida da outra.

A partir dai comecei a organizar tudo que iria precisar e a maior dificuldade foi encontrar produtos femininos no mercado. Quase não tem, não procuramos nada cor de rosa, mas algo que seja feminino. Se nos grandes centros já é complicado encontrar, imagina no interior como é o meu caso. Então a maneira é sempre improvisar, seja uma roupa, um boné, um acessório e até mesmo um equipamento.

Para uma viagem grande como esta muitos perguntam se levamos muitas malas sempre respondo que não, uma de roupa e outra de equipamentos como carretilhas, linhas e um tubo com as varas, já que uma viagem de avião não pode ser transportada sem esta proteção.

Importante saber o clima do local, para não levar roupas demais ou de menos. Também é bom perguntar se você poderia lavar sua roupa, assim você economiza espaço na mala e não fica deixando a roupa suja até a volta.

Na semana da viagem coloquei no papel tudo que iria precisar e aos poucos fui colocando as roupas na mala, tudo muito leve, sem exageros. É importante não deixar para a última hora, pois de faltar algo que queira levar dará tempo de providenciar.

E no nosso caso levamos coisas que somente uma pescadora levaria, como alicate de cutícula, esmalte, brincos, batom.

Mas algo que sem dúvida é muito mais que necessário é o protetor solar e muitos cremes após a pescaria e tudo isso não é por  vaidade e sim saúde. São horas e horas no sol e sem proteção poderá ter problemas futuros. Sem esquecer do boné ou chapéu, óculos escuros e de preferência camisa manga longa e caso no local tenha insetos muito repelente nas partes que ficarem a mostra.

A ajuda da família nesse momento é muito importante, mesmo que eles não vá, uma viagem assim envolve a todos, porque é inevitável não falar sobre isso em casa e mesmo que cause uma certa preocupação no início, eles sabem que é muito importante pra nós.

E uma maneira de ficarmos mais próximos é na arrumação dos equipamentos, assim seja a esposa ou marido pode compartilhar um pouquinho desse momento. Nem que seja ajudando a colocar linha na carretilha, molinete, escolhendo as melhores iscas artificiais é uma maneira de participação e com certeza o pescador (a) vai ficar muito mais feliz.

Em uma pequena bolsa (necessaire) leve um carretel de linha e uma agulha, nunca se sabe se um botão vai sair, se uma blusa vai rasgar, muitos não se importariam em sair em uma foto ou em uma gravação assim, mas não custa estar bem apresentável a todo momento, até porque já foi o tempo em que o pescador colocava a sua roupa mais suja e rasgada pra ir pescar.

Junto pode ser colocado uma lixa de unha, serve tanto para nós mulheres como para eles também, na troca de uma isca artificial pode se quebrar uma unha e isso incomoda bastante.

Leve atadura, band-aid, algodão, um mini kit de primeiros socorros e remédios que ache necessário como para dores de cabeça e estômago. E ela claro, a câmera, um momento como esse merece muitas fotos.


 

Equipamentos para esta pescaria:

Vara: 60 a 120 lbs
Carretilha: Perfil redondo compatível com 200 metros de linha mono
Linha: 0.91

Vara: 10 a 25 lbs
Carretilha: Compatível com 150 metros de linha Multifilamento
Linha: 0.30 a 0.40


Aline Patricia

Escrito por Lielson às 14h43
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20/01/2011


Pesca amadora x pesca profissional: vitórias expressivas e menores mostram quem é mais forte

A decisão do Governo do Panamá de proibir a pesca com espinhel pelágico (aquele que prende de 800 a 1200 anzóis em uma linha mestre em enormes distancias) é mais uma prova que o desenvolvimento da pesca amadora gera muito mais divisas do que a pesca comercial.

Ou seria mera coincidência uma determinação que, de certa forma, deve afetar a produção do pescado e o lucro de diversas empresas?

Os panamenhos concluiram que os filés dos marlins e sailfishs abatidos para o comércio são muito menos lucrativos do que os mesmos exemplares vivos e fisgados por um turista.

Esse turista/pescador irá movimentar muito mais dinheiro por meio da compra de pacotes turísticos, que geram empregos à população local e desenvolvem as regiões.

Isso tudo segue uma lógica, fácil de ser entendida.

"Estamos empenhados em manter o nosso país como destino mundial da pesca", afirma o secretário nacional da SENACYT (Secretaria Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação) do Panamá, Ruben Berrocal.

E ele está certo.

A preocupação do Panamá rendeu elogios de diversas fundações globais da pesca e também ganhou aplausos de nós, da Pesca & Companhia.

Afinal, olhando para o próprio cenário local da pesca esportiva, vemos que existe ao menos "uma leve" tendência a incentivar o desenvolvimento do turismo da pesca com amparo governamental.

Temos o exemplo bem recente publicado no portal Pesca & Companhia a respeito da criação de pacotes turísticos específicos para a pesca em Corumbá (MS). Confira neste link: http://revistapescaecompanhia.uol.com.br/noticias/noticias.aspx?c=3526

A cidade mais representativa da região sul do Pantanal primeiro se pôs contra a "Lei da Pesca Predatória" em clara preferência de priorizar a preservação e, conseqüentemente, a manutenção dos melhores exemplares em suas águas no Rio Paraguai.

Mas, como vemos, no caso brasileiro temos Corumbá, e ainda como exemplo Cáceres (MT) e Foz do Iguaçu (PR) com a proibição do abate do dourado, como cidades 'isoladas' no meio de uma imensa riqueza pouquíssima explorada. Ao contrário do Panamá, que agora tem sua lei de âmbito nacional.

Vitórias expressivas ou apenas "pequenas" da pesca amadora tendem a ser cada vez mais constantes em todo mundo.

Que o Brasil, por meio de seu Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), desperte para uma mentalidade mais moderna e menos conservadora.

E isso só irá acontecer se nós fizermos a nossa parte.

Novidades estão por vir...

É só aguardar! 

Escrito por Lielson às 13h07
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11/01/2011


Bastidores da edição 193

Um fato curioso aconteceu no fechamento da edição 193, do mês de janeiro, depois de decidida qual a matéria que merecia o destaque da capa.

O editor Alex Koike optou pela reportagem sobre a pescaria no pesque-pague "Córrego das Antas", em Glicério (SP).

Todos votaram a favor.

Mas só tinha um entrave depois de feita  a diagramação: a borda da capa com a foto do repórter Lielson Tiozzo era verde.

Verde? Qual o problema disso, pensam os leitores.

Acontece que Lielson Tiozzo é daqueles corinthianos fervorosos, que não tem uma peça verde sequer em seu guarda-roupa.

Nova discussão, análises e, por fim, ficou decidido que a capa deveria ser amarela.

Para a alegria de Lielson...

E para mais uma história de bastidores da Pesca & Companhia...

Escrito por Lielson às 12h25
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08/10/2010


Eternize suas pescarias

O site Tucuna, administrado pelo pescador Maicon Bianchi, tem uma novidade para os amigos internautas e pescadores:

Câmeras digitais, item indispensável na pescaria para poder registrar a captura dos seus troféus.

Confira:

http://www.tucuna.com.br/site/det_dic.php?i=308

Escrito por Lielson às 15h26
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26/08/2010


Reforço para a pesca de praia

A Pesca & Companhia agora conta com um novo colaborador para produzir matérias a respeito da pesca de praia, atendendo um antigo pedido dos leitores.

Vladimir Ferreira esteve nesta quinta-feira, 26, na redação e se apresentou para toda a equipe.

A estréia de Vladimir na revista está prevista para acontecer a partir da edição de outubro.

Confira o perfil do pescador:

Nome completo: Vladimir Almeida Ferreira

Idade:  51

Nascimento: 17/09/1958 em Paraisópolis (MG)

Família: casado há 28 anos com a também pescadora Márcia Cassiano Ferreira. Tenho duas filhas gêmeas, Carolina e Mariana, que são engenheiras ambientais.

Idade com que começou a pescar: 3 anos

Como surgiu o interesse: Morava numa fazenda. Comecei pescando lambari com vara de bambu que meu tio tinha deixado no local.

Prefere pescar em: praia

Iscas: Natural – camarão e corrupto

Espécie favorita: Robalo

Caso mais marcante: Foi o primeiro peixe que eu peguei, com três anos. A partir desse momento despertou o prazer pela pesca.

Participação na Pesca & Companhia: A partir da edição de outubro vou colaborar com matérias de pesca de praia

Time de futebol: Santos

Música: Sertanejo e MPB

Hobby: Todos os meus são ligados a pesca. Faço customização e trabalhos manuais.
 
Recado para os leitores: Todas as modalidades de pesca são importantes, desde que sejam praticadas com responsabilidade, respeitando o ecossistema e a biodiversidade. A Pesca de Praia talvez seja a que está mais próxima de todos... e nós Brasileiros temos um pesqueiro natural com aproximadamente 7.500 quilômetros a nossa disposição.

Escrito por Lielson às 14h47
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23/08/2010


Pescaria do momento

Está a fim de fazer uma pescaria certa para os próximos dias?

A maré está boa para pescar enchovas e sororocas em Ilha Bela (SP).

A informação vem do Capitão Matias, pescador e guia local.

Nos últimos dias ele e seus clientes tiveram muitas ações com iscas de meia-água.

Galos e sernambiquaras também foram fisgados.

Mais informações no link  http://www.pescaki.com/index.php?/forum/107-ballyhoo-pesca-esportiva/

Boa pescaria!

Escrito por Lielson às 12h14
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19/08/2010


Zurlini anuncia novo patrocinador

 

O pescador do staff Pesca & Companhia, Fábio Zurlini, anuncia que tem novo patrocinador para embarcações.

Agora ele usará com o barco Quest 268, com seu novo modelo de casco e o desenho e do modelo Stratus 268 americano.

"É uma honra estar novamente com a Quest. Neste caso eu fui escolhido para representar o Estado de São Paulo.Entendo que a Quest colocou esse modelo de barco para suprir uma grande necesidade, na demanda de bassboat médio", diz Zurlini.

Escrito por Lielson às 16h51
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06/08/2010


Mais experiente

Nesta sexta-feira, 6 de agosto, o pescador Juninho comemora seu 44º aniversário.

O staff Pesca & Companhia parabeniza o "pescador de emoções", fã das piaparas, dourados e tucunarés.

Clique aqui para ouvir a música que homenageia Juninho.

 

Escrito por Lielson às 16h23
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